sexta-feira, abril 2

Desencanto

[... para ler e sentir todas as letrinhas de Bandeira... num finalzinho de tarde, clima tendencioso que beira início de outono... em plena sexta-feira, feriado... eu recomendo! =) ]



Manuel Bandeira







Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.